Como Estou Criando Conteúdo de Games nas Redes Sociais na Base do Prompt
Como Estou Criando Conteúdo de Games nas Redes Sociais na Base do Prompt
Há alguns meses venho experimentando uma ideia que mudou completamente a forma como produzo conteúdo para redes sociais: em vez de abrir um editor de design, eu escrevo um prompt. Digito algo como /games-noticia e, minutos depois, tenho um PNG pronto para o Instagram ou um vídeo vertical para o TikTok — sem tocar no Photoshop, no After Effects ou no CapCut.
Neste artigo eu abro o capô e mostro como esse fluxo funciona por dentro: a arquitetura, as tecnologias e por que tratar "design como código" virou meu jeito favorito de publicar.
A ideia central: comando vira fluxo de trabalho
A mecânica toda gira em torno de skills via prompt. Uma skill é um fluxo de trabalho automatizado: eu dou um comando direto e o assistente (Claude Code) executa, de ponta a ponta, todas as etapas que antes eu faria na mão.
O que torna isso possível é a união de duas coisas:
- A capacidade de interpretação do agente de IA, que entende o que eu quero a partir do prompt.
- Uma arquitetura baseada em arquivos de configuração (JSON) e motores de renderização programática, que transforma dados em mídia.
O assistente roda scripts no backend, busca informações, popula templates e gera a mídia final — sem nenhuma intervenção manual no design. Eu defino a intenção; a máquina cuida da execução.
As skills que uso
Eu separo o trabalho em duas linhas editoriais, com filosofias opostas:
| Linha | Skills | Filosofia |
|---|---|---|
| Games (engessada) | /games-noticia, /games-curiosidade, /games-carrossel |
Template rígido. O assistente preenche dados e renderiza, sem inventar layout. |
| Profissional (flexível) | /motion-profissional |
Peças em motion graphics, com liberdade para criar composições do zero. |
A linha de games é propositalmente engessada: padrão visual fixo, consistência garantida, velocidade máxima. Já a linha profissional é instrutiva e flexível — serve quando a ideia pede um layout ou animação que os moldes prontos não entregam.
Há ainda uma skill utilitária, a /screenshot-url, que abre uma URL externa (um gráfico, um app) e captura a tela em PNG para reaproveitar em outras composições.
Passo a passo do funcionamento
Quando eu invoco uma skill, o fluxo é mais ou menos este:
1. Invocação e definição (o prompt)
Eu chamo a skill e defino três coisas: a rede social (Instagram, TikTok ou LinkedIn), o tema ou jogo, e o ângulo da publicação ("saiu agora", "você sabia que…", "5 jogos pra quem gosta de X").
2. Busca de dados e assets
O sistema roda scripts utilitários em Python para consumir dados e baixar automaticamente as imagens — capas, artworks, screenshots. O shared/lib/fetch_images.py cuida disso. Quando o conteúdo pede um fundo em movimento, o clip_trailer.py baixa e corta um trecho de trailer do YouTube para servir de plano de fundo.
3. Preenchimento dos dados
O assistente traduz tudo que coletou (mais o texto do post) em um arquivo de dados estruturado. Dependendo da linha editorial, ele edita:
- um
data.json— para os templates rígidos de HTML/CSS; - um
.props.json— para os vídeos em motion graphics.
4. Renderização automatizada
Aqui o formato de saída muda conforme a rede e a skill:
- Imagens estáticas (PNG): o script
shared/lib/render.jslê o template (HTML/CSS) e os dados (data.json), e usa um navegador automatizado para tirar um "screenshot" da página montada — esse screenshot é a imagem final. - Vídeos (MP4): para TikTok e peças dinâmicas, o sistema usa compositions dirigidas pelo
.props.json. O motor renderiza quadros animados com efeitos como Ken Burns e crossfade, gerando o vídeo de forma totalmente programática.
5. Finalização e legendas
Por fim, o assistente escreve a legenda otimizada para a rede escolhida — copy, hashtags e CTA — e salva tudo em um arquivo .md.

O infográfico acima resume a "fábrica de conteúdo": à esquerda, a Linha Games, otimizada para escala e automação; à direita, a Linha Profissional, voltada a autoridade e motion. Tudo converge para o mesmo motor de "design como código".
Como o Playwright transforma HTML em imagem PNG
Essa é a parte que mais me encanta. A linha de games inteira se apoia num truque simples e poderoso: HTML/CSS → Playwright → screenshot PNG.
O Playwright é um navegador automatizado (roda o Chromium em segundo plano). O fluxo é:
- Leitura dos arquivos: o
shared/lib/render.jslê o template do criativo — construído com HTML e CSS convencionais — junto com os dados dodata.json. - Renderização: o Playwright processa o HTML/CSS e injeta os dados (textos e imagens), montando o layout visual completo do post.
- Captura da tela: com o visual pronto, o Playwright tira uma "foto" daquela página e salva o resultado como PNG na pasta
output/.
Tecnicamente, o render.js injeta o data.json em window.__DATA__, chama window.render(data) e o index.html do template preenche o DOM. Simples assim.
A grande vantagem desse approach: o criativo é versionável, o texto sai sempre perfeito (nada de rasterização borrada), e o mesmo molde serve para infinitos posts. É design tratado como código.
Como o Remotion usa React para criar vídeos
Para vídeo, a história é parecida — mas em vez de Playwright, entra o Remotion (rodando Remotion 4 + React 19). A sacada do Remotion é tratar motion graphics como código React versionável, unindo a lógica de componentes web a uma linha do tempo de vídeo.
Funciona assim:
- Compositions são os templates de vídeo, escritos como componentes React em
src/compositions/e registrados emsrc/Root.tsx. - Props parametrizam cada vídeo. Assim como um componente React recebe propriedades, cada peça é dirigida por um
.props.json. Um mesmo molde gera vídeos diferentes só trocando as props. - Primitivos de animação: em vez de HTML cru, uso os primitivos do Remotion —
AbsoluteFillpara posicionamento,Sequencepara sequenciar blocos na timeline, e o hookuseCurrentFramecomspringeinterpolatepara transições matematicamente precisas (entradas com slide + fade, números contando). - Mídia nativa:
Img+staticFile(...)para imagens,Audiopara som eOffthreadVideopara trechos de vídeo de fundo. - Consistência de marca: toda a estilização consulta um
src/theme.tscentral — nada de cores hardcoded. Isso garante as fontes e cores certas e respeita a safe zone (a zona segura para o texto não ficar atrás dos botões do TikTok).
Na prática, eu uso o React para programar a entrada, a permanência e a saída de cada elemento na tela, e depois exporto esse código como um MP4 final. Composições como a GameReel9x16 cuidam das notícias de jogos em formato vertical.
O stack completo
Reunindo as peças, o ecossistema fica assim:
| Camada | Tecnologia |
|---|---|
| Agente e orquestração | Claude Code (interpreta os prompts e executa as skills) |
| Fontes de dados | APIs externas: IGDB (capas, sinopses, gêneros), Steam (jogadores ativos, preço), Twitch e Wikidata |
| Imagens (PNG) | HTML + CSS clássicos, renderizados no servidor via Node.js com Playwright (Chromium headless) |
| Vídeo / motion | Estúdio Remotion (React 19 + Remotion 4) |
| Scripts de apoio | Python (fetch_images.py, clip_trailer.py) |
| Configuração e legendas | JSON para as props dos componentes; Markdown para legendas e documentação editorial |
Como complemento manual, o ecossistema ainda flerta com After Effects, Rive, Jitter e CapCut para animações pontuais — mas o coração do fluxo é 100% programático.
Engessado vs. flexível: por que ter os dois
A diferença entre as skills engessadas (games) e as flexíveis (/motion-profissional) não é capricho — é estratégia editorial:
- Engessadas garantem cadência e identidade visual. Quando preciso publicar três notícias de games por semana, não quero decidir layout toda vez. O template decide; eu só dou o conteúdo.
- Flexíveis abrem espaço para criar. Quando a ideia foge do padrão, o
/motion-profissionalme deixa criar uma composition nova do zero, respeitando a marca, mas sem amarras de molde.
É o mesmo motor de "design como código" servindo a dois propósitos opostos: velocidade de um lado, liberdade criativa do outro.
O que aprendi com isso
Tirar o design manual do caminho mudou minha relação com a produção de conteúdo. Eu paro de gastar energia no como (alinhar pixel, exportar, redimensionar) e foco no o quê (qual notícia, qual ângulo, qual jogo).
Mais do que automação, é uma forma de pensar: se o criativo é código, ele é versionável, reaproveitável e infinitamente escalável. Um template bem feito hoje vira centenas de posts amanhã — todos com texto perfeito e identidade consistente.
E o melhor: tudo começa com uma única linha digitada num prompt.